SESC 60 anos - LUZ DA LUZ

  Luz da Luz                                                                                                                                          [English Version]

É por meio da matéria que o artista toma conhecimento das dificuldades de encarnar seu sentimento-pensamento. A luz é a matéria-não matéria mais misteriosa. Sendo imaterial sempre provém de uma fonte material, necessitando que algo se consuma para lhe dar vida.

Luz é elemento básico para nossa visão e existência, e as ideias que temos sobre ela correspondem intimamente aos conceitos de ordem superior que nos regem a vida, uma vêz que é nessa ordem que inserimos tais experiências. Sua linguagem é o mais primordial e a mais sublime, modelando-nos o existir.
Para a expressão do sensível, na representação de uma realidade que transcende o próprio real, o ser criativo conta com a luz interior, sem a qual a visão não se completa. A ambição enorme do artista - pois na re-apresentação do mundo está implícita sua recriação - vai demandar que a experiência do sensível seja ampliada para além da representação, pela apresentação ou delimitação de experiências perceptivas, só possíveis por meio da vivência direta do fenómeno quando acontecendo, ou pela geração de um mundo paralelo àquele em que vivemos e com suas próprias leis.

Os primeiros artistas apaixonados pela luz, no surgir da eletricidade, foram os artistas do Futurismo e da Bauhaus. Moholy-Nagy chegou o sugerir a criação de uma "Academia de luz", onde seria possível unir o conhecimento científico á busca estética.
No âmbito da arte contemporânea, a procura por novos meios expressivos levou os artistas a buscar dois vetores extremos nas técnicos e conceitos de criar arte com a luz: nas descobertas científicas da óptica, no eletricidade e nas novas tecnologias digitais, ou no material mítico dos primórdios da humanidade, com o uso do fogo e da luz solar. Uma constante é a luz como fenómeno, ao mesmo tempo sujeito e objeto da criação.

O conceito da curadoria foi o de apresentar um conjunto de obras que traduzisse e exemplificasse essa tendência. O prédio do SESC Pinheiros já é em si um grande projeto de luz, local especial para abrigar trabalhos de arte espalhados por todo o prédio, em uma museogrofia não convencional, onde o espaço é ativado por uma nova percepção, que causa impacto e demanda que o visitante descubra as obras que se apresentam em jogos de luz diferentes durante o dia e durante a noite.

O oriente e o ocidente unem-se no instalação sonora de Yumí Kori e Bernhard Gal, os sombras misteriosas e interativas do inverno Finlandês inspiram o de Hanno Haaslathi, trazendo a dança como suporte dialogístico.

Regina Silveira une a luz e a sombra em um duplo acontecimento em que o poético e o tecnológico se complementam; Raquel Kogan propicia um encontro dentro de nós mesmos em espaços-luz ilusórios; Guto Lacaz banha de luz a piscina num mergulho verde de néon; Eder Santos aborda o poético e o intimismo em um mundo encantado recriado em vídeo; Lucas Bambozzi produz um vídeo, tendo por protagonistas as ruas e a presença do público ao redor do SESC, devolvendo essa informação em projeção luminosa nas janelas da fachada. Anna Barros une a luz solar com o tecnológico, fazendo da íris de seus olhos um suporte de percepção dos ruas avistadas doas janelas do sétimo andar, ao som criado por Anselmo Guerra, e recria uma das janelas no segundo andar.

Dois grupos: SCIArts, artistas e cientistas unidos criam um objeto-luz, em metal inteligente, em sintonia com o sol e devolvem sua dança, em tempo real, aos usuários do Internet; SDVila cria um viveiro onde o jardim natural se confunde com uma cascata em luz digital dialogando com o som de Wilson Sukorski.

Anna Barros - Curadora

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